Opinião: uma chance para quem você conhece e sempre mereceu oportunidade

Por Lucas Pimenta*

A definição do secretariado do futuro prefeito de Dracena, Juliano Bertolini (PTN), que irá começar seu mandato a partir deste domingo (1º), trouxe nomes técnicos e novos da política, como na Saúde com Ligia Sinatura e Educação com Vanessa Redigolo Castilho, fato positivo nas escolhas, já que a população está cansada das figuras tradicionais e dos mesmos rostos. Apesar disso, Bertolini não deixou de lado os mesmos dinossauros de sempre da política local, como Shoiti Kanezawa (PV), que assumirá a Supersecretaria de Indústria, Comércio, Habitação, Obras, Infraestrutura Urbana e Assuntos Viários, e o vice-prefeito eleito e atual vereador, Moisés da Funerária (PTB), que ficará com a de Agricultura. Algo surpreendente para quem disse que privilegiaria nomes técnicos para as áreas.

Shoiti, aliás, foi candidato a reeleição como vereador, perdeu e foi rejeitado nas urnas pelos dracenenses, mas volta com poder dentro do futuro governo. Moisés, vereador há quase duas décadas, foi derrotado nas eleições para prefeito em 2008, e apesar de ter sido oposição ao atual prefeito, José Pedretti (PSDB) na segunda metade do mandato, teve uma filha indicada como secretária no governo do tucano e era seu defensor no início de sua gestão. Em uma cidade que conta com um dos cursos de Zootecnia mais importantes do Brasil e grandes agrônomos nascidos no município, Moisés está longe de ser uma escolha correta.

Apesar dos pesares, um nome da lista me chamou a atenção. Ele não é um técnico da área que atuará, mas também não é um nome tradicional da política dracenense. Marcos César de Souza, o Marquinhos, será o presidente da Empresa Municipal de Saúde. Não é médico ou enfermeiro, mas sempre teve ligação e devoção com o esporte em Dracena, e pode levar sua experiência em gerir pessoas para a nova área. Como treinador de futsal é linha dura na hora de cobrar os comandados, mas também tem o estilo conciliador. Muitas pessoas acreditam que um profissional da saúde deveria comandar essa empresa pública, mas na gestão, tão importante quanto conhecer a área, está gerir pessoas e saber comandar equipes. Nisso, Marquinhos tem experiência.

Conheço o Marquinhos desde a infância, quando ainda morava na Cecap (ou Parque Dracena, como preferir). Ele morava a uma quadra de casa e era bem próximo do meu pai. Santista fanático, na época, era um menino muito magro, mas que jogava uma qualidade de futebol rara de se ver na vida, inclusive, entre os profissionais que assistimos na TV. Mais do que isso, sempre foi líder. Falava, comandava, orientava, ajudava os organizadores dos campeonatos do bairro mesmo sendo uma criança e era um apaixonado por tudo isso, às vezes, mais do que pela bola em si.

Após seu pai partir, virou obsessão dele ajudar as pessoas. Durante todos esses anos se dedicou, quase sempre de graça ou por mixaria, ao esporte dracenense. Por vezes, gastou do bolso para ajudar a área na cidade. Oportunidades para mostrar algo? Nenhuma. Nunca recebeu um cargo público de verdade, de caráter decisivo, capaz de colocar em prática o amor que tem pela cidade.

Virou amigo de Juliano Bertolini, que viu sua dedicação e ganhou sua confiança. O senso comum e os oficiais da política bradam que foi o deputado Reinaldo Alguz (PV) que costurou a candidatura vitoriosa de Juliano para prefeito. Engano! O gordinho com cara de tímido, mas muito falador, é que tem grande parte dos méritos na costura que elegeu o vereador.

O deputado sempre foi mais favorável as candidaturas de pares do PV, como o irmão do federal Evandro Gussi (PV), o advogado José Reinaldo Gussi, ou até Vanderlei Biazini. Na pior das hipóteses, até a esposa de Reinaldo era mais cotada pelo próprio deputado. Marquinhos bateu nas portas dos vereadores, conversou da forma agradável de sempre e fechou uma aliança com 11 partidos, além dos apoios de grandes nomes. Quando Alguz viu e percebeu o que estava montado, era só hora de bater palmas pela ação política de Marquinhos.

Vamos esperar para ver o que efetivamente vai acontecer, mas pelo que conheço do Marquinhos, ao menos, muita dedicação e suor pela área que vai comandar estão garantidos. A oportunidade que ele sempre lutou e mereceu, agora, chegou. Talvez não no momento ou espaço que ele sonhava, mas em toda a sua vida, ele sempre transformou limões em limonada. 

Lucas Pimenta é jornalista formado pela Universidade Anhembi Morumbi, especialista em Marketing Político e Campanhas Eleitorais com formação pela PUC-SP. Trabalhou em grandes jornais da capital paulista e assessorias de comunicação no Governo do Estado e Prefeitura de São Paulo. É nascido e criado em Dracena, onde morou até os 17 anos e escolheu como lugar para casar em 2016. Junto com oito dracenenses, parte de fora da cidade, criou o Cidade do Futuro como espaço de debate político e para incentivar a democracia de alta intensidade no município, em meio digital.

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